Infraestrutura verde – A incontornável necessidade de um futuro que começa agora

Opinião de Pedro Martinho, Executive Director da Couvermetal Marrocos, e Conselheiro do Conselho da Diáspora Portuguesa

Executive Digest
Julho 23, 2025
12:33

Por Pedro Martinho, Executive Director da Couvermetal Marrocos, e Conselheiro do Conselho da Diáspora Portuguesa

O século XXI trouxe consigo uma realidade inegável: as alterações climáticas já não são “apenas” um problema do futuro, mas um desafio incontornável do presente.

Neste contexto de agravamento dos riscos associados aos eventos meteorológicos extremos sob a forma de secas prolongadas, inundações imprevisíveis, vagas de calor cada vez mais longas e uma crescente escassez de recursos naturais como o stress hídrico prolongado, torna-se imperativo repensar o modo como construímos, gerimos e habitamos os nossos territórios.

Durante décadas, apostou-se num modelo de infraestrutura “cinzenta”, a tradicional abordagem centrada em soluções rígidas e mono-funcionais, frequentemente desconectadas do ecossistema onde se inserem. Embora tenham cumprido o seu papel, estes modelos revelam-se hoje insuficientes perante a complexidade e imprevisibilidade dos fenómenos climáticos.

É neste enquadramento que emerge, com renovada relevância, a Infraestrutura Verde, integrada na Estratégia para a Biodiversidade da União Europeia. Trata-se de uma rede estrategicamente planeada de áreas naturais e seminaturais que envolve espaços verdes – ou azuis, no caso de ecossistemas aquáticos em zonas marinhas – e outras características físicas, tanto em contextos urbanos como rurais.

Através da integração de processos ecológicos nos sistemas de engenharia e de planeamento urbano e territorial, o objetivo é transformar cidades e regiões em áreas mais sustentáveis, eficientes, resilientes, seguras e preparadas para os desafios do futuro.

Enquanto responsável por uma empresa no setor da construção em Marrocos, vejo diariamente como é que a integração da natureza em infraestruturas pode melhorar a qualidade do ar, reduzir ilhas de calor, conservar água e promover biodiversidade, sem comprometer a funcionalidade técnica das mesmas. Estamos a falar de tecnologia ao serviço da sustentabilidade, desde coberturas verdes, a ecodutos e sistemas de drenagem e gestão natural de água, corredores ecológicos, parques urbanos multifuncionais.

Mas para que estas Soluções Baseadas na Natureza ganhem escala e eficácia, é indispensável um compromisso internacional robusto. Iniciativas como o Pacto Ecológico Europeu, a Agenda 2030 da ONU ou o Programa de Resiliência Climática da União Africana demonstram que um caminho de convergência global está a ser percorrido.

No caso do continente africano, com particular vulnerabilidade aos efeitos climáticos, existe uma oportunidade histórica de liderar soluções sustentáveis, adaptadas ao seu atual contexto.

A diplomacia climática e a cooperação multilateral são essenciais: nenhum país enfrentará sozinho os efeitos das alterações climáticas. Com pontes e colaborações entre continentes, nações, cidades, centros de investigação e setor privado, é possível acelerar a transição para infraestruturas verdes. A partilha de conhecimento científico e boas práticas, o financiamento cruzado, a formação técnica e a inovação tecnológica são os pilares desta cooperação.  Este é um dos pontos de partida do EurAfrican Forum 2025.

Acredito que cada telhado pode ser um jardim, cada parede um filtro, cada cidade uma aliada da natureza. As infraestruturas do futuro não serão apenas construídas. Serão também cultivadas. E esse futuro começa agora.

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